Facebook, fake news e as eleições de 2018

De tempos em tempos, abrimos a nossa timeline do Facebook e lá estão os amigos compartilhando aqueles testes, do tipo: Qual seria sua aparência se você fosse do gênero oposto? Quem é seu melhor amigo? Como você estará daqui 20 anos? Quem você é na sua série favorita…entre tantos outros. Eu já fiz e você já deve ter feito, é i-r-r-e-s-i-s-t-í-vel. Mas o que pouca gente sabe, é que essa brincadeira inocente, pode custar muito.

                                                 Um inocente teste de facebook

Um desses inocentes testes causou um escândalo envolvendo o Facebook, juntamente com o compartilhamento de Fake News e há quem diga que os dados extraídos foram primordiais para eleger o candidato desacreditado no início da corrida presidencial, o Mr. Donald Trump.

Ok, aconteceu tudo isso nos EUA e você me pergunta, o que eu tenho a ver com isso? Bem, o próprio Mark Zuckenberg, fundador do Facebook, afirma que tem receio que a mesma situação ocorra nas eleições brasileiras de 2018.

Mas o que aconteceu?

Em 2014, Aleksandr Kogan professor de psicologia da Universidade de Cambridge, desenvolveu o teste “This is Your Digital Life” (Esta é sua vida digital) e compartilhou para usuários do Facebook.

A proposta do teste era definir um perfil de personalidade dos usuários após responderem uma série de perguntas como: Você está aberto a novas aventuras? O quão responsável você se considera? Você gosta de festas? Quanta compaixão você sente pelos outros? Você se preocupa ou se chateia com frequência?

Aparentemente nada demais, certo? A grande questão era que ao realizar este teste, os usuários permitiam compartilhar seus dados públicos do Facebook com a ferramenta, para colaborar com a pesquisa acadêmica de Cambridge.

Mas, a encrenca começa quando, além de coletar as informações autorizadas dos 270 mil usuários que fizeram o teste, também foram coletadas informações de TODOS os amigos de cada um desses usuários, totalizando 87 milhões de pessoas atingidas.

Check-ins, localizações, curtidas, fotos, postagens, vídeos, eventos e compartilhamentos, absolutamente todas as informações do Facebook dessa galera foi parar nos bancos de dados dos pesquisadores de Cambridge.

A partir dessa quantidade incrível de dados, o pesquisador Aleksandr Kogan traçou uma série de perfis psicológicos utilizando técnicas de Machine Leaning (entenda melhor como Machine Learning funciona aqui).

E o que fizeram com os tais perfis?

Primeiro, este professor vendeu todas as informações coletadas e os perfis traçados para uma empresa de marketing online chamada Cambridge Analytica, que foi contratada para gerenciar a campanha de marketing online de Donald Trump em 2016.

A partir dai eles começaram a direcionar anúncios para cada perfil, estes anúncios eram moldados, levando em conta os medos, necessidades e emoções das pessoas, ou seja, enviando exatamente a mensagem que cada grupo desejava ouvir!

Uma pessoa com perfil considerado “aventureiro”, por exemplo tinha muito mais chance de simpatizar pelas propostas relacionadas ao porte de armas do que alguém com perfil “humanitário”, por exemplo.

Mas não parou por aí, além dos anúncios patrocinados, notícias falsas começaram a ser disparadas, seguindo exatamente a mesma lógica.

A famosa Fake News

Fake News, pós-verdade, notícia falsa ou simplesmente mentira, chame como quiser. Aquilo que de longe parece verdade, mas de perto tem indícios de ser uma grande mentira.

Uma parte importante de toda a estratégia era disseminar informações falsas a respeito da oponente de Trump, Hillary Clinton. Que foi acusada, de comandar uma rede de exploração e prostituição infantil e até de ser frequentadora de rituais Satanistas.

Cada Fake News era gerada sob medida, para cada tipo de eleitor, com o objetivo claro de confundir aqueles que pretendiam votar na oponente e convencer que o candidato Trump tinha boas propostas a oferecer.

E as eleições no Brasil?

Já não basta enfrentarmos um momento tão delicado na política brasileira, com tantos casos de corrupção eclodindo a cada dia por todos os lados. Já veio a tona, que haviam empresas brasileiras com parcerias firmadas com a Cambridge Analytica, que pretendiam executar exatamente a mesma estratégia por aqui.

A certeza que temos, é que o Facebook será uma grade ringue de batalha nas eleições de 2018 e o Tribunal Superior Eleitoral já tem debatido fortemente a questão das Fake News.

O Ministro Luiz Fux indicou que irá trabalhar juntamente com a ABIN ( Agencia Brasileira de Inteligência), a Polícia Federal e o Exército, para controla-lás e afirmou que criou um grupo para estudar formas legais para retirar falsos conteúdos da internet.

Na verdade, o TSE tem consciência do poder das Fake News, mas não tem em mãos ferramentas para controlá-las e nem ao menos foi deixado claro que medidas serão realizadas neste controle.

Todo esse papo foi pra contar para vocês que isso vai acontecer SIM nas nossas eleições no Brasil e eis o momento de estarmos atentos a toda e qualquer informação que chegue até a nós.

Segue ai um checklist para compartilhar notícias com consciência:

  • Sempre leia a notícia inteira;
  • Cheque quem publicou a matéria;
  • Confira a data da publicação;
  • Pesquise a mesma informação em outras fontes;
  • Não acredite em tudo o que está na Internet;
  • Desconfie de notícias exageradas e que tenham muitos adjetivos.

Por fim, o que nos resta, é entender o perigo dos inocentes compartilhamentos e se lembrar de passar cada link no filtro do senso crítico, na hora de utilizar as redes sociais: NUNCA COMPARTILHE CONTEÚDO SEM VERIFICAR A IDONEIDADE DA FONTE. Se você compartilha sem checar, você está colaborando com o esquema todo e enfraquecendo o nosso processo democrático.

E você, tem alguma outra técnica para identificar as fake news? Comenta ai e lembre-se de sempre avisar os amigos caso tenham compartilhado uma notícia falsa, vamos juntos construir uma sociedade melhor!

 

 

 

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